sexta-feira, 2 de junho de 2017

Desintegrar

Vc me inventou
Me reinventou
Me destruiu
Agora desi
    n
         t         e g
r
                                    e-
m
          e...

segunda-feira, 17 de abril de 2017

comportamento dos espelhos na (bras)ilha de páscoa

Não me atrairiam as entranhas dos riscos
(Se) me eximo de qualquer combate neste sentido
Voyer ao contrário
Perplexo, vejo(-me) num domingo de sol
Qualquer
Em qualquer andarilho
Desescolhido a dedo
Risco?

De soslaio (gostamos desta ideia)

Observa(o) o solar
Daquele pobre violão
Enquanto dedilha o lixo (ator principal neste acidente visual cinicamente rimado)
Pisa o solo sem soul
de famílias xerocadas em seus restos de ovos, pães, catarros, tapiocas
Em conversas desafinadas
Indiferentes aos intestinos alheios
(Quem não é?)
Traio, agora, a primeira frase
pra reconhecer-me até a última estrofe
Numa busca
Nesta busca pelo que me fala
Se sou
"Só estou"
Entranhado pelo que me atrairia se coubesse atrás das palavras

sábado, 15 de abril de 2017

sobre lagos e medeias...

Olhou para o céu, na última esperança divina, sem tempo para qualquer milagre, porém, com a razão afastada de qualquer conceito, arremessou seu filho no lago e correu, até hoje corre...

segunda-feira, 27 de março de 2017

onde vivem os monstros

fique perdido
ligue para todos os seus contatos
em vão
rode a cidade gastando seus últimos 20 reais
de gás
sinta-se só
(você está só)
remoa aquela briga antiga com aquele antigo amigo que você não conversa já faz anos
ainda
desvincule-se
(mais um pouco)
exercite os músculos do desespero
pire
(você está só)
beba um café
não vai passar
beba mais um copo
adoce
(sinta o açúcar corroer suas tripas inomináveis)
finja parcimônia
sente
procure refúgio nos olhares alhures
de novo
(e de novo)
peça um chope
mude para a cerveja
gaste mais um pouco
cobre-se
tente amizade com a moça do caixa
abrace despreocupadamente aquele broder na nait
beba com ele
(agora você está quase chegando lá)
creia-se feliz
(vai passar)
pense que domingo vem antes de segunda
chore no banheiro do bar
vai
(você está quase)
pegue a arma de brinquedo de seu filho e mire-se no espelho ensaiando mais uma cena
é apenas uma cena
ria com um "kkkkkkkk" num grupo qualquer do zap
pare
veja cinco japoneses nas ruas do setor comercial sul às 4 da manhã
volte para aquele lugar que disseram ser sua casa
deite naquele colchão que deram a você o nome de "sua cama"
feche as janelas
ligue o ventilador
cubra-se
(como na infância, fugindo dos monstros)
durma-se
acorde atordoado
esqueça que sonhou
limpe a cara
compre sabonete
escove os dentes
(não necessariamente nessa mesma desordem)
tente lembrar de ontem
esquecer de outrem
lamente por prazer
converse sozinho gesticulando para o nada
(agora pode. você está sozinho)
saia
procure um bar
(mais um bar)
peça um copo
(primeiro, um copo)
simule olhar o cardápio
abra o app de notas
escreva "fique perdido"

segunda-feira, 20 de março de 2017

voyer

sangue, sangre mais um pouco
deixa eu te ver chorar?
é tão bonito
me alivia
chora, chora, vai